A premissa básica dos jogos de ação é eliminar inimigos e obstáculos para se conseguir passar de fases até um grand-finale recompensador. Mas os jogos stealth trouxeram a ação furtiva como desafio extra para se eliminar inimigos de maneira inteligente.
A série “Splinter Cell” trouxe essa característica para a glória, especialmente em “Conviction”, em que se pode matar dezenas de inimigos sem efetuar nenhum combate corpo-a-corpo. Mas “Deus Ex: Human Revolution” promete ir além: você pode cumprir todas as missões, passar todas as fases e zerar o jogo sem matar um único inimigo sequer.
Inicialmente, a ideia pode parecer realmente esquisita, mas a proposta é definitivamente desafiadora: imagine cumprir as cerca de 20 horas do game atuando de forma tão furtiva que você não precise matar absolutamente nenhum inimigo. É óbvio que você pode seguir o caminho habitual de meter bala em todo mundo, mas é muito instigante a possibilidade de se ir contra os princípios básicos do gênero e simplesmente não disparar um único tiro.
Essa possibilidade existe em “Deus Ex: Human Revolution” e pode ser concretizada não apenas em ações furtivas à la “Splinter Cell”, mas também no diálogo inteligente com os NPCs (personagens não jogáveis). Ao encontrar outro personagem, você tem opções como apelar (Plead), absolver (Absolve) ou pressionar (Crush). Suas escolhas definirão seu destino na ação e, por conta delas, você realmente poderá chegar ao fim do jogo de forma extremamente diplomática, conseguindo seus objetivos sem gastar munição.
Enredo Instigante
O jogo segue a linha de ação estratégica de seus dois predecessores. Adam Jensen é o protagonista, ex-agente da SWAT que é contratado para proteger uma empresa que faz experimentos malucos na área de biotecnologia, no ano de 2027, ou seja, 25 anos dos eventos de “Deus Ex: Nanotechnological”. A ideia é transformar pessoas comuns em super-humanos. Porém, o resultado dessa experiência pode colocar toda a raça humana em perigo.
E é aí que entra Jenson: após um ataque ao laboratório que ele foi contratado para proteger, o protagonista fica gravemente ferido e acaba se tornando cobaia da empresa de biotecnologia. Transformado mecanicamente em super-soldado, Jensen tem aquela tradicional crise de princípios dos heróis e percebe que a própria evolução da raça humana está ameaçada com a experiência. Ele decide então que é hora de agir. E é aí que a ação propriamente dita começa.
“Deus Ex: Human Revolution” combina ação com elementos clássicos de RPG, o que permite ao jogador fazer escolhas inteligentes e diplomáticas que evitem o embate direto. Cada ação furtiva bem sucedida resulta em novas habilidades e recompensas, desafiando de forma positiva o jogador em cada fase.
É possível hackear os sistemas de segurança, sabotar experiências e desarmar inimigos sem ser notado, atuando apenas nas sombras. Cada ação que você pratica, define um rumo diferente para o jogo. As opções são infinitas, os rumos da história idem.
O conceito visual do jogo mescla a estética renascentista com a melancolia cyberpunk, dando cores barrocas ao mundo de Adam Jensen. Essa estética é aplicada nas três cidades que o protagonista visita durante o game: Detroit, Montreal e Xangai.
OK, a proposta de “Deus Ex: Human Revolution” é espetacularmente instigante, sim. Mas será que faz sentido um jogo de ação em que não se mate inimigos? Isso, caro leitor, nós vamos responder assim que colocarmos as mãos no produto final do jogo. A expectativa, com certeza, é a melhor possível.